Por anos, o consenso do mercado foi que o avanço do digital ditaria o fim do papel. A trajetória da Print, fundada em 2012, prova que o impresso não morreu; ele apenas exigia uma Excelência Operacional que o setor ainda não oferecia.
Como pioneira do conceito Web to Print, a empresa automatizou o que antes era um caos de arquivos corrompidos e motoboys. No entanto, em 2023, mesmo consolidada, a Print decidiu mudar tudo.
Essa não foi uma mudança cosmética. O Rebranding foi um Pivot Estratégico necessário para uma marca que faz parte da Cimpress, uma gigante global de US$ 5 bilhões, e que precisava alinhar sua imagem ao seu verdadeiro poder de fogo.
Lição 1: Rebranding é Resposta a uma Dor de Negócio
Muitas empresas mudam o visual por tédio estético. Na Print, o motivo foi matemático: a fábrica operava com 40% de capacidade ociosa. O mercado sofria de uma miopia de percepção, enxergando a marca apenas como “a gráfica de cartões de visita”.
O novo posicionamento de “sete gráficas em uma” foi desenhado para ocupar as máquinas. A Print precisava comunicar que domina desde brindes e embalagens até rótulos de cerveja, livros, grandes formatos e comunicação visual.
Como bem define Thiago Leon, Head de Branding da marca:
“Posicionamento é a imagem chave que a empresa cria na mente do seu público-alvo. É quase como que uma promessa.”
Lição 2: O “Verde Impossível” e o Símbolo da Maestria
A evolução do logotipo é uma aula de semiótica. A marca abandonou a antiga “vírgula azul” — um símbolo de pausa — para adotar o conta-fio visto de cima. Essa lupa técnica é o instrumento de precisão máxima do impressor, comunicando autoridade.
Para reforçar essa autoridade, escolheram o verde limão. No mundo gráfico, essa é a cor mais difícil de atingir. Se você adiciona pigmento branco demais, ela amarela; se retira, ela fica lavada, o famoso “burro quando foge”.
Adotar a cor mais tecnicamente desafiadora do setor é um sinal de Social Proof imediato. Esse rigor técnico é refletido até na arquitetura da fábrica, um espaço de design assinado por Ruy Ohtake, que eleva a marca ao status de potência industrial.
Lição 3: Da Diretoria de Marketing para a Diretoria de Receita
Uma marca moderna não sobrevive isolada em um departamento criativo. Na Print, a estrutura mudou para uma Diretoria de Receita, conectando o branding diretamente ao ICP (Ideal Customer Profile) e à estratégia comercial.
Para otimizar a conversão, o atendimento foi clusterizado em quatro perfis claros:
- No-touch: O cliente self-service que busca agilidade no e-commerce.
- Inbound: Pedidos que entram pelo site, mas exigem consultoria técnica detalhada.
- Farmers: Clientes recorrentes com gerentes de conta dedicados.
- Key Accounts: Grandes corporações e editoras (como a Panini) que demandam escala.
Lição 4: Humanização, Pinterest e a Estratégia “Anti-Mockup”
A Print parou de tentar ser uma “panfleteria digital” para focar em Infotenimento. A estratégia é personificada pela Emily, a “menina do marketing”. Ex-cliente e influenciadora, ela foi contratada para humanizar a marca no TikTok e Instagram.
Para sustentar o conceito de Search Everywhere, a empresa baniu o uso de mockups digitais no site. Agora, todo produto é impresso e fotografado em estúdio próprio, garantindo que o cliente veja a tangibilidade real do que está comprando.
Essa nova estética visual é o motor da estratégia no Pinterest. Como os designers buscam inspiração visual meses antes de um projeto, a Print se posiciona no topo do funil, transformando referências estéticas em pedidos de venda futuros.
Lição 5: O Perigo de “Zerar” o Passado (Um Erro Estratégico)
Até os melhores estrategistas cometem falhas. Thiago Leon admite que “zerar” o histórico do Instagram e YouTube durante a transição foi um erro. Ao deletar o conteúdo antigo para ter um feed “aesthetic”, a marca sacrificou anos de Brand Equity e autoridade de SEO.
O aprendizado é valioso para qualquer gestor: o histórico é o lastro da marca. Em vez de deletar, a estratégia correta seria atualizar as capas (thumbnails) e descrições, preservando a relevância orgânica acumulada.
A decisão de priorizar a estética do grid em detrimento da autoridade acumulada é uma armadilha comum. O branding inteligente deve abraçar a evolução, não tentar apagar as pegadas digitais que trouxeram a empresa até aqui.

Como o conceito de sete gráficas em uma mudou o posicionamento?
O conceito de “sete gráficas em uma” foi fundamental para transformar a percepção do mercado sobre a real capacidade de produção da Print. Anteriormente, o posicionamento da empresa falhava em comunicar o seu tamanho, e os clientes viam a marca quase exclusivamente como “a gráfica do cartão de visita”, o que acabava gerando uma grande capacidade ociosa em seu maquinário.
Ao adotar a ideia de “sete gráficas em uma”, a empresa passou a comunicar que oferece uma enorme diversidade de serviços em um só lugar, resolvendo o problema do cliente que antes precisava procurar um espaço para fazer canecas, outro para garrafas e outro para embalagens. Esse conceito demonstra que a marca produz desde cartões de visita e brindes corporativos até livros, comunicação visual, banners e rótulos de cerveja ou vinho com acabamentos complexos, como o hot stamping.
Para consolidar essa nova comunicação de mercado, a empresa alterou o seu slogan de “mais que uma gráfica online” para “sua gráfica, sempre”. Essa mudança de posicionamento reforça a promessa de que a marca está pronta para atender o cliente em qualquer necessidade, seja um projeto simples ou complexo, para pequenos empreendedores ou grandes contas, e com capacidade para executar tanto as baixas e médias tiragens quanto as de grande volume.
Quais foram os principais desafios no rebranding do site?
O processo de mudança do site durante o rebranding da Print enfrentou grandes desafios que envolveram desde a complexidade técnica até problemas de comunicação com o público. Os principais obstáculos foram:
Complexidade técnica do sistema: O site da Print não funciona como plataformas de e-commerce convencionais (como Shopify ou Vtex), pois o setor gráfico exige um alto nível de detalhamento nos pedidos, como a escolha de facas e gabaritos. O sistema antigo era tão sensível que qualquer pequena alteração corria o risco de quebrar toda a plataforma. Por isso, foi necessário criar um site personalizado do zero, o que tornou o processo de alteração de backend e do painel administrativo extremamente trabalhoso, levando cerca de um ano para ser concluído.
Falta de aviso prévio aos clientes: Um grande erro estratégico assumido pela marca foi não ter comunicado a mudança do site com antecedência para a comunidade de designers e clientes assíduos. A equipe tomou essa decisão por precaução, temendo que a nova tecnologia falhasse e eles precisassem acionar um “botão vermelho” para retornar ao site antigo.
Choque e resistência dos usuários: A transição sem aviso prévio gerou um susto nos clientes, causando o que foi descrito como “babado, confusão e gritaria”. Os usuários já estavam no piloto automático com o site antigo e, curiosamente, alguns reclamaram porque já sabiam como “burlar os bugs” da versão anterior e se sentiram perdidos com a nova interface.
Bugs críticos e explosão na demanda do SAC: O lançamento do novo site apresentou algumas falhas críticas, permitindo que alguns usuários conseguissem realizar pedidos enquanto outros enfrentavam dificuldades. Essa instabilidade técnica, somada à falta de comunicação prévia, gerou uma correria e uma sobrecarga gigantesca no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa.
Por que o verde-limão foi escolhido como a cor principal?
O verde-limão foi escolhido estrategicamente para simbolizar a inovação e o desafio tecnológico da marca.
Durante o processo de rebranding, a equipe consultou os profissionais da gráfica para descobrir qual era a cor mais difícil de se alcançar na impressão. A resposta unânime foi o verde-limão, por ser um tom extremamente sensível: se for adicionado um pouco mais de branco ou luz à mistura do pigmento, ele vira amarelo; por outro lado, se a proporção não for exata, a cor fica com um tom lavado ou estranho.
Como a empresa queria se apoiar em pilares de inovação e avanço tecnológico, a equipe decidiu que adotar a cor mais difícil de imprimir como a cor padrão da marca seria a melhor forma de demonstrar a capacidade técnica da gráfica. Além desse fator de desafio prático, a combinação visual desse tom vibrante de verde-limão com cores de apoio como o prateado e o preto transmite uma forte ideia de tecnologia para o consumidor.

O Futuro é Multicanal e Tangível
O rebranding da Print prova que a inovação não está apenas em softwares, mas em como o digital potencializa a experiência física. A marca se preparou para o futuro unindo Tecnologia Digital com a solidez de quem domina a cor mais difícil do mercado.
Para refletir: Só erra quem faz, mas a sua marca está comunicando hoje tudo o que ela realmente é capaz de entregar? Ou você ainda está preso a um posicionamento que já não cabe mais no tamanho do seu negócio?







