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Posicionamento de Marca

O livro Posicionamento: A Batalha por sua Mente, de Al Ries e Jack Trout, é uma obra seminal que revolucionou as estratégias de marketing modernas. Os autores defendem que, em uma sociedade supercomunicativa, a eficácia da propaganda não reside em inventar algo novo, mas em manipular percepções já existentes no cérebro do consumidor. Através de conceitos como a “escada de produtos” e a busca por “brechas”, o texto explica que a vitória comercial é conquistada ao ser o primeiro a ocupar um espaço mental específico. A obra detalha como marcas devem se comportar como líderes ou seguidores, utilizando o reposicionamento da concorrência para superar o excesso de informações do mercado. Trata-se de um guia prático de posicionamento de marca, que substitui a criatividade abstrata pela estratégia focada na mente do cliente.

O Ruído que Ninguém Ouve

Vivemos na primeira sociedade supercomunicativa da história, um cenário onde a “falha de comunicação” tornou-se o diagnóstico preguiçoso para todos os males. A realidade, contudo, é muito mais brutal: o problema não é a falta de mensagens, mas o volume avassalador delas. Em uma selva de comunicação saturada, a publicidade deixou de ser uma marreta para se tornar uma “neblina leve”, ela envolve o público, mas raramente penetra em sua consciência.

Nesse assalto constante à mente, estratégias tradicionais focadas apenas em ter o “melhor produto” são missões suicidas. A mente humana é um porteiro implacável que rejeita qualquer informação que não se encaixe em nichos pré-existentes. Para ser ouvido hoje, você não deve buscar a solução dentro do seu produto, mas dentro da mente do seu cliente.

O que é o conceito de posicionamento de marca na mente do consumidor?

O conceito de posicionamento de marca não se refere ao que você faz com um produto ou serviço em si, mas sim ao que você faz com a mente de seu potencial cliente. Ou seja, trata-se da forma como você aloja e estabelece a imagem desse produto, marca ou até de uma pessoa na mente do consumidor.

Em uma sociedade caracterizada pelo excesso de comunicação e pelo bombardeio de mensagens, o posicionamento atua como um sistema de seleção. A abordagem fundamental dessa estratégia não é criar algo novo e diferente, mas sim manipular aquilo que já está dentro da mente do consumidor, reatando e aproveitando conexões que já existem.

Para compreender a profundidade desse conceito, é essencial observar suas mecânicas centrais:

  • A Percepção é a Realidade: A solução para o marketing não deve ser buscada no produto, mas sim na mente do cliente. Você deve se concentrar nas percepções do seu potencial consumidor e não na “realidade objetiva” do produto, pois a mente humana age como um filtro que frequentemente rejeita informações novas que não coincidem com suas experiências e expectativas anteriores.
  • As “Escadas” Mentais: Para conseguir lidar com a complexidade e a explosão de produtos no mercado, o consumidor classifica mentalmente as opções disponíveis em “escadas”. Cada degrau dessa escada mental possui o nome de uma marca de determinada categoria. Para ganhar participação de mercado, uma empresa precisa criar uma relação da sua marca com a posição das marcas que já ocupam os degraus superiores.
  • A Vantagem de Ser o Primeiro: A maneira mais fácil de penetrar e garantir uma posição inabalável na mente do consumidor é ser o primeiro a chegar. A primeira marca a entrar em uma mente que ainda não foi ocupada por concorrentes ganha uma enorme vantagem e dificilmente será desalojada no longo prazo.
  • Buscar Brechas ou Reposicionar: Se a sua marca não consegue chegar primeiro, ela não deve tentar imitar a líder. Em vez disso, deve procurar uma “brecha” (créneau) ainda não preenchida na mente do cliente, seja apostando em um preço mais alto, em um tamanho menor, ou em um público específico. Caso não existam lacunas evidentes, o caminho é o “reposicionamento da concorrência”, que consiste em desconstruir ou retirar uma ideia/produto concorrente que já está na mente do consumidor para, só então, colocar a sua nova ideia no lugar.

Em suma, o conceito de posicionamento de marca determina que a verdadeira batalha do marketing não ocorre nas prateleiras, mas sim em centímetros de massa cinzenta dentro da cabeça do consumidor. Modificações de nome, preço ou embalagem não são mudanças reais no produto, mas táticas puramente cosméticas usadas com o único propósito de garantir uma posição valiosa na mente do cliente.

A Batalha pela sua Mente

O Posicionamento de Marca Não é Sobre o Produto, é Sobre a Mente

O erro capital de gestores e redatores é acreditar que posicionamento de marca é algo que se faz com o produto (alterando embalagens, preços ou fórmulas). Na verdade, posicionamento é o que você faz com a mente do potencial cliente. É uma mudança radical da visão “de dentro para fora” para a visão “de fora para dentro”.

A mente é um recipiente inadequado e supersimplificado. Para ganhar a batalha, sua mensagem deve ser afiada e despojada de ambiguidades até que possa perfurar o filtro mental do consumidor. Em marketing, a percepção é a única realidade que importa.

“A batalha do marketing é travada dentro da mente do consumidor”

A Maldição do Segundo Lugar (e a Lógica de Lindbergh)

A verdade contraintuitiva aqui é que ser “melhor” é irrelevante se você não for o primeiro. Charles Lindbergh foi o primeiro a sobrevoar o Atlântico sozinho; quem foi o segundo? Neil Armstrong foi o primeiro a pisar na lua; quem foi o segundo? A mente humana não tem espaço para o silêncio do segundo lugar.

Imagine a mente como uma série de escadas, onde cada degrau é ocupado por uma marca. Subir um degrau é um esforço hercúleo quando o topo já está ocupado por um líder estabelecido. O líder torna-se o padrão, a régua pela qual todos os outros são medidos. Algumas marcas foram tão eficientes em ocupar o primeiro degrau que seus nomes tornaram-se sinônimos da própria categoria (o chamado genericide):

  1. Kodak (Fotografia)
  2. Kleenex (Lenços de papel)
  3. Xerox (Fotocópias)
  4. Coca-Cola (Refrigerantes)

Qual a importância de ser o primeiro no mercado?

Ser o primeiro a chegar é a maneira mais fácil e eficaz de entrar e fixar-se na mente de um consumidor. Como o marketing é uma batalha mental, as chances de sucesso sempre favorecem a primeira pessoa, o primeiro produto ou a primeira empresa que consegue penetrar e ocupar um espaço na mente do público.

A importância fundamental do pioneirismo pode ser dividida nos seguintes pontos cruciais:

  • Vantagem esmagadora em participação de mercado: A história comprova que a primeira marca a se estabelecer no cérebro do consumidor obtém, em média e a longo prazo, o dobro da participação de mercado da marca número dois, e quatro vezes mais do que a marca número três. Uma vez estabelecida, essa hierarquia raramente muda com facilidade.
  • Posições quase inabaláveis: Uma marca que entra primeiro em uma “mente inocente” — como a Kleenex em lenços de papel, a Xerox em copiadoras e a Coca-Cola em refrigerantes — dificilmente será desalojada. O conceito é comparado ao imprinting biológico (onde filhotes de pato gravam a imagem da primeira criatura que veem como sendo sua mãe) e ao processo humano de apaixonar-se, em que a receptividade inicial gera uma forte lealdade.
  • Efeito dominó de vantagens: A liderança traz inércia a favor da empresa. Em quase todas as etapas, a marca principal leva vantagem: os consumidores tendem a escolher a mesma marca de sua última compra, as lojas preferem estocar as marcas líderes e essas empresas conseguem atrair os melhores profissionais do mercado.
  • A mente importa mais que a invenção: Ter o melhor produto da categoria é satisfatório, mas é muito melhor e mais vantajoso ser o primeiro. Um exemplo notável é a IBM: ela não inventou o computador (quem o inventou foi a Sperry Rand), mas foi a primeira empresa a construir e ocupar a posição de computadores na mente do consumidor.

Por outro lado, o modo mais difícil de entrar na mente de alguém é sendo o segundo, pois “segundo não é lugar nenhum”. As pessoas lembram-se facilmente de quem foi o primeiro a cruzar o Atlântico sozinho (Charles Lindbergh) ou o primeiro a pisar na Lua (Neil Armstrong), mas quase ninguém sabe quem foram os segundos.

Portanto, a lição central do posicionamento de marca é que, se uma empresa não for a primeira em sua categoria, ela precisará aplicar estratégias muito mais complexas — como encontrar e preencher uma nova “brecha” no mercado ou reposicionar agressivamente a concorrência líder —, já que a simples tentativa de imitar e superar o líder com um produto “melhor” costuma resultar em fracasso.

O Poder da Posição “Contra” (O Caso Avis)

O que fazer quando você não é o primeiro? A lógica convencional dita que você deve projetar força e dizer que é o melhor. A verdade contraintuitiva? Admitir que você é o número dois o torna mais forte.

A Avis acumulou prejuízos por 13 anos tentando atacar a líder Hertz de frente. O sucesso só veio quando estabeleceu uma relação de relatividade com o líder: “A Avis é apenas a número dois em aluguel de automóveis; portanto, por que ir conosco? Porque nos esforçamos mais.” Ao admitir sua posição, a Avis ocupou um degrau sólido na mente do consumidor e capitalizou a simpatia pelo “perdedor que se esforça”.

O desastre só ocorreu quando a empresa caiu na armadilha e.o.q.a.t.b.s. (Esquecer O Que A Tornou Bem-Sucedida): após ser comprada pela ITT, tentou anunciar que seria a “número um”. Ao abandonar sua âncora realista para projetar suas aspirações, a marca perdeu a conexão com a mente do público.

Reposicionamento: Abrindo Espaço à Força

Quando não há brechas (créneaus) disponíveis, você não pode simplesmente “pedir licença”. Você precisa reposicionar a concorrência para criar um espaço. O reposicionamento não é publicidade comparativa (que geralmente é ineficaz); é sobre estourar o balão do concorrente para que o público aceite uma nova ideia.

  • Tylenol vs. Aspirina: O Tylenol não disse apenas que era bom. Ele expôs as fragilidades da aspirina (irritação estomacal, hemorragias) para desalojar o líder da mente do consumidor.
  • Stolichnaya vs. “Vodcas Russas”: Enquanto marcas como Samovar (Pensilvânia), Wolfschmidt (Indiana) e Smirnoff (Connecticut) fingiam ser russas, a Stolichnaya expôs a verdade. Ela posicionou-se como “A Vodca Russa de Leningrado”, transformando as líderes em imitações americanas. O público adora ver o poderoso ser desmascarado.

A Armadilha Mortífera da Extensão de Linha

A maior tentação do ego corporativo é colocar um nome de sucesso em um novo produto. Parece lógico: “Se eles amam nosso sabonete, amarão nosso desodorante”. Mas para a mente, isso é um veneno estratégico baseado no Princípio da Gangorra: um nome não pode representar duas posições diferentes. Se você estica o nome, ele perde o foco.

O caso da Volkswagen é didático. VW significava “carro pequeno/Fusca”. Ao estender a marca para modelos grandes e caros, a empresa não apenas falhou na nova categoria, como perdeu a liderança de carros pequenos para Toyota e Datsun. Eles tentaram ser tudo e acabaram perdendo o que os tornava únicos.

O Princípio da Gangorra: Nome Original vs. Extensão

Nome Original (Posição Forte)Extensão de LinhaResultado na Mente do Consumidor
Volkswagen (Fusca / Carro Pequeno)Modelos Grandes/LuxoPerda de foco e liderança para Toyota/Datsun.
Alka-Seltzer (Remédio estomacal)Alka-Seltzer PlusConfusão e canibalização do produto original.
Xerox (Copiadoras)Xerox Data SystemsFracasso bilionário; Xerox não significa computador.
Dial (Sabonete Desodorante)Desodorante DialParticipação minúscula; o nome já estava “ocupado”.

O Nome como Âncora do Sucesso

Na era do posicionamento de marca, o nome é o gancho que prende a marca na escada mental. Ele é o primeiro ponto de contato e a decisão de marketing mais importante que você tomará. Um nome inadequado ou uma extensão ambiciosa podem condenar um produto antes mesmo do lançamento.

A vitória não pertence à empresa com o maior orçamento, mas àquela que possui a mensagem mais purificada e o nome mais focado. O marketing moderno não é sobre o que você quer dizer, mas sobre o que o cliente está disposto a ouvir.

Como escolher um nome que ajude no posicionamento?

A escolha de um nome é a decisão de marketing mais importante que você pode tomar na era do posicionamento. O nome funciona como o “gancho” que pendura a sua marca na escada mental do consumidor.

Para escolher um nome que ajude ativamente no seu posicionamento de marca, as fontes sugerem as seguintes estratégias:

Comunique o principal benefício: Um bom nome deve iniciar o processo de posicionamento de marca dizendo imediatamente ao cliente qual é a vantagem do seu produto. Nomes fortes e quase genéricos são ideais. Exemplos de sucesso incluem Head & Shoulders (Cabeça e Ombros) para caspa, loção Intensive Care (Cuidado Intensivo) e bateria DieHard (Difícil de Morrer). Um nome descritivo forte também impede que concorrentes copiem sua ideia facilmente.

Cuidado com os nomes inventados: Nomes totalmente inventados e sem significado prévio (como Kodak ou Xerox) só devem ser usados se você for o primeiro a entrar na mente do consumidor com um produto absolutamente novo. Se você não for o pioneiro em uma nova categoria, evite palavras inventadas e fique com palavras descritivas comuns.

O som é mais importante que a grafia: A mente humana funciona de maneira auditiva, traduzindo palavras escritas em sons para compreendê-las. Portanto, um nome não deve apenas “parecer” bonito no papel ou no logotipo; ele precisa soar bem quando falado.

Fuja da “sopa de letrinhas” (Iniciais): Evite ao máximo batizar sua empresa ou produto apenas com siglas ou iniciais (como USM ou GAF). Empresas como IBM, GE e AT&T usam iniciais com sucesso porque já eram extremamente ricas e famosas antes de adotá-las, e não o contrário. Iniciais por si só não significam nada para a mente do consumidor.

Produto novo exige nome novo: Evite a “armadilha da extensão de linha”, que é a tentação de usar o nome de um produto famoso em um lançamento. Um nome forte ganha fama justamente porque se torna sinônimo de um produto específico (ex: Life Savers significa bala com furo no meio; quando tentaram lançar um chiclete Life Savers, fracassou). Para criar uma nova posição na mente, você precisa de um nome novo e de uma escada nova.

Nomes negativos podem ser úteis: Em alguns casos, assumir um nome aparentemente negativo ajuda a criar um “orgulho da origem” e a polarizar contra um concorrente forte. Por exemplo, chamar a margarina de “manteiga de soja” em vez de tentar imitar a manteiga de leite, ajudaria a tirar o produto da posição de “imitação de segunda categoria”.

Evite homenagens e códigos internos: Não batize produtos com códigos de laboratório (como XD12) que parecem piadas internas. Da mesma forma, olhar para o passado e dar o nome do fundador ou de sua filha (como Chevrolet e Mercedes) funcionava antigamente, mas hoje nomes que não dizem nada não têm força para penetrar na mente.

Em suma, não tente ser inteligente ou poético demais. A escolha do nome deve ser objetiva e estratégica: seu papel é abrir a mente do consumidor como a ponta de uma faca, preenchendo uma brecha clara e específica no mercado.

Como a ‘sociedade supercomunicativa’ afeta a eficácia do marketing atual?

A “sociedade supercomunicativa” afeta profundamente a eficácia do marketing atual ao criar um ambiente de excesso de informação, onde as pessoas enviam mais mensagens, mas recebem e assimilam cada vez menos. Nesse cenário em que o ruído e o volume de informações são altos demais, as estratégias e mensagens de marketing preparadas de maneira tradicional perdem a força e já não têm esperança de sucesso.

Os principais impactos dessa realidade na eficácia do marketing incluem:

  • A ilusão do “impacto” publicitário: Falar em impacto hoje é superestimar a eficácia da mensagem. Devido à quantidade de anúncios a que as pessoas estão expostas diariamente, a publicidade deixou de ser uma “marreta” e passou a ser apenas uma “neblina muito leve” que envolve os clientes.
  • O bloqueio e filtro da mente humana: Para se defender desse imenso volume de comunicação, a mente do consumidor atua como um filtro rigoroso, rejeitando grande parte das informações que lhe são oferecidas. A mente comum funciona como uma “esponja encharcada”, e, em geral, só aceita informações novas que coincidam com o seu estado de espírito, conhecimento ou experiência anterior.
  • A exigência de mensagens supersimplificadas: Como a única defesa das pessoas é ter uma “mente supersimplificada”, o marketing é obrigado a adotar a mesma abordagem. Na comunicação atual, “menos é mais”. O marketing perde a eficácia se for complexo; é preciso eliminar ambiguidades, afiar e simplificar ao máximo a mensagem para que ela consiga penetrar na mente.
  • A necessidade vital de Posicionamento: Na selva da sociedade supercomunicativa, tentar mudar a mente do consumidor com fatos sobre um produto é garantia de desastre. A única esperança de eficácia é ser extremamente seletivo e praticar o posicionamento de marca. O marketing moderno não deve focar na realidade do produto em si, mas sim nas percepções do cliente, manipulando e reatando conexões que já existem na mente dele para estabelecer uma “posição” valiosa e clara.

A sociedade supercomunicativa transformou a mente humana em um recipiente inadequado para novas informações, forçando o marketing a abandonar as velhas táticas de insistência e criatividade pura para focar estrategicamente em como entrar e se fixar na mente do cliente como o primeiro de uma categoria.

Sua marca está tentando ser tudo para todos ou ela ocupa um lugar único na mente de quem importa?

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